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Eu queria ser bailarina...

A paixão pelo balé clássico levou minha mãe a me colocar em uma escola de balé, mas fiz apenas algumas aulas. Saí assim que descobri que aquela dança e aqueles passos suaves não tinham nada a ver comigo. No entanto, no ano seguinte, conheci o jazz e o balé moderno. Me apaixonei pelas músicas, passos mais fortes, quase imperativos eu diria.

No final deste artigo há endereços de escolas de ballet*

E lá fui eu, então com meus 7 ou 8 anos de idade me aventurar no jazz. O uniforme em nada lembrava o balé clássico. No jazz, o collant era preto, assim como as sapatilhas e uma fita amarrada na cintura tornava o visual mais gracioso.

A primeiro pedra no caminho do meu sonho de ser bailarina¹

Apesar de muito empolgada, tanto, que passava as horas vagas dançando em casa e me sentindo uma estrela e sabendo o quanto eu já queria ser bailarina, saí do curso um ano depois, quando ¹mudei de Estado.

A segunda pedra no caminho² 


Tão logo me mudei, entrei em uma escola de jazz. Eu tinha 9 anos. Sem nenhuma explicação a ²professora que ensinava jazz abandonou a escola de danças depois de dois meses de aula e, não haveria mais aulas de jazz naquela escola.

Eu, com minha incrível timidez na infância, não quis ir para outra escola, pois achava que as alunas já estavam adiantadas e eu não iria acompanhar as aulas. Quanta besteira! E mais um ano se passou.

A terceira pedra no caminho do sonho de ser bailarina³

Aos nove anos entrei em uma nova escola e lá, por incrível que pareça, ³a professora abandonou o curso para ir dançar no Japão e mais um ano se passou. Na verdade dois, o motivo eu já nem sei...

A quarta pedra...³

ballet-foto
Então, já com 12 anos, entrei em uma escola de balé que, naquele ano iria começar a ministrar aulas de jazz e eu, mais que depressa, me inscrevi. Foram dois anos de aula.

Após esse período em que ainda sonhava que seria uma grande dançarina eu me vi com 14 anos e soube que as grandes dançarinas com essa idade já estudavam há muito tempo. E mais, ³descobri que deveria ter entrado em uma grande companhia se quisesse fazer da arte de dançar a minha profissão.


O que fiz? Desisti. Simples e covardemente assim.

Nessa época eu entrava em um mundo imaginário todas as tardes, ao sair da escola e me trancava no quarto e começava a dançar e dançar e dançar, a tarde inteira e imaginava uma plateia me aplaudindo...

Depois de uns 3 anos, bem no auge da aeróbica, comecei a fazer aulas daquela "ginástica dançada". Treinávamos até a exaustão, inclusive aos domingos, e começamos a fazer apresentações de aeróbica em alguns lugares. Dois anos depois o professor se mudou para os EUA e novamente fiquei desestimulada e além disso, outros planos habitavam minha mente além da dança e DESSES não insisti. Afinal, não era bem a aeróbica que eu queria e já estava "velha demais" para dançar balé moderno ou jazz.

Em mais alguns anos comecei a dançar lambada (ainda não era considerada brega) e me apresentava em alguns lugares. Foi divertido, mas a fase passou.

E a vida se seguiu assim, sem que eu conseguisse realizar meu grande sonho de infância de ser bailarina.

Nas baladas, bailes de formatura ou em festas de 15 anos ou casamento, eram as únicas oportunidades que eu tinha para dançar. E, por incrível que pareça, não me sentia muito a vontade com aqueles passos e ficava um pouco contida. Mas quando eu me soltava e me deixava levar pela musica, então, eu dançava e arrebentava, as pessoas paravam para me olhar dançando...


E por que estou escrevendo isso exatamente hoje, um domingo chuvoso? Porque sinto que de alguma forma isso tudo deveria vir à tona hoje e eu não deveria segurar mais e sim, colocar tudo para fora. E qual foi o gatilho? Na verdade foram dois.


No começo da manhã assisti a uma longa reportagem na Globo News com a bailarina número 1 do Teatro Municipal, a bailarina Ana Botafogo. E, inevitavelmente, tudo o que escrevi acima veio à tona, me senti emocionada.

O segundo evento está acontecendo agora. Está passando o filme Flashdance, coloquei no canal bem na parte em que está tocando a música "Lady, Lady, Lady" de Joe Esposito e, não deu outra, desabei. Comecei chorar, chorar e chorar. Mais uma vez coloquei toda aquela angústia guardada há tanto tempo para fora.

Lady, Lady, Lady:



Não houve como negar, eu devia me sentar em meu home office e começar escrever sobre todas essas emoções, pois quando a gente as compartilha consegue sentir um alívio imenso e é assim que estou agora. Aliviada e conformada em não ter realizado meu sonho de infância.

Não era para ser, não, depois de tantas escolas fechando bem quando eu entrava.

Agora tenho de dar uma pausa para ir ver o final do filme, no teste para entrar na maior escola de balé em que a protagonista se apresenta ao som de "What a Feeling" com Irene Cara...


Algum tempo depois...

A cena que acabei de ver:


O filme acabou e mais uma vez eu chorei. Chorei de lembrar a sensação experimentada ao dançar completamente inebriada pela música e deixando todos os problemas para lá. Chorei sabendo exatamente qual a sensação que foi experimentada pela bailarina durante as filmagens. Chorei ao lembrar da entrevista com a Ana Botafogo pela manhã. Chorei por saber que não há como voltar no tempo - ou ainda não foi descoberto pela física - como fazê-lo.

Outros filmes me emocionaram, como "Footloose" e "Dirty Dancing", mas nenhum deles me tocava mais do que Flashdance...



MEUS NOVOS SONHOS, alguns já realizados e outros apenas começando...

Lavei a alma e estou bem e feliz por saber que o tempo passou e os MEUS SONHOS MUDARAM e que alguns deles eu até realizei como, abraçar um leão e saber que eu consegui, ou me tornar escritora e estou conseguindo, ou escrever sobre nutrição e saúde e estou conseguindo em meu blog Saúde com Ciência/Nutrição.

Também estou realizando um sonho bem mais recente (esse também merece um texto como este), o de tocar piano, pois estou aprendendo.

Mas essas são outras histórias de sonhos que começaram em outras épocas e por outros motivos. Quem sabe eu os conte um dia...

Um conselho? Só desista de seus sonhos se eles forem muito difíceis de serem alcançados ou quando não fizerem mais sentido pra você. Como foi a dança para mim. Um dia não fazia mais sentido e acho que eu não tinha tanto talento assim...


ESCOLAS DE BALLET

Resolvi fazer algo por quem tem o sonho de ser bailarina e não sabe por onde começar. Primeiramente procure uma boa escola de ballet. Nessa busca, o preço das aulas conta menos que o conceito da escola e de seus professores. Afinal, se você aprender errado será mais difícil 'consertar' depois. Dedique-se muito desde o começo e saiba que cada um dos passos até o mais simples, será muito importante, já que ele poderá ser a base de passos mais complexos.

*Veja alguns sites de escolas de balé (ballet) que separei para mostrar e incentivar as futuras bailarinas:



E olha só... Depois que relacionei estes sites de escolas de ballet percebi que muitos deles oferecem aulas de balé para adultos. Acho que vou me matricular.... Mas só para praticar uma atividade física, por que meus sonhos, ah! já são outros... Agora entendi o porquê de em um mesmo dia eu ter assistido a uma entrevista com a bailarina Ana Botafogo e ao filme Flashdance...
Foto: Flickr

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